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Notas de campoARTIGO
Quando o cliente pede uma pessoa
Metade das vezes não pede por palavras. Qual é o gatilho, o que a pessoa recebe, o que se diz ao cliente e qual é a versão disto tudo que lhe custa o cliente inteiro.
Costa4 min de leitura
Resposta curta
Um encaminhamento deve disparar perante um pedido explícito, perante um tema da lista de limites, perante uma pergunta repetida, perante uma mudança de registro e perante uma intenção declarada de sair. Depois importa que a pessoa receba o fio inteiro com o que já foi prometido, que ao cliente se diga quem assume e até quando, e que o encaminhamento nunca vá para uma fila que ninguém vigia.
Fatos principais
- A pessoa recebe o fio completo, um resumo curto no topo e uma lista explícita daquilo a que o assistente já se comprometeu.
- Ao cliente diz-se que uma pessoa assume e até quando, em vez de deixá-lo sem resposta.
- Fora de horas, o assistente diz quando chega a resposta em vez de encenar um encaminhamento para uma fila vazia.
- Uma conversa encaminhada duas vezes fica assinalada, porque a segunda tem outra causa.
Um cliente escreve posso falar com alguém? Esse caso é fácil.
A outra metade dos encaminhamentos chega sem essas palavras, e acertar com esses é quase todo o trabalho.
Cinco formas de o pedido chegar
Por palavras. Explícito, inequívoco, e acontece de imediato sem tentar ajudar antes. Perguntar é sobre o quê? antes de aceitar custa mais boa vontade do que aquela que poupa.
Por tema. Reembolsos, disputas, tudo o que esteja na lista de limites. O cliente não pediu; pediu a política.
Por repetição. A mesma pergunta pela terceira vez, formulada de maneira diferente de cada vez, significa que a resposta do assistente não está chegando. A terceira tentativa não é aquela em que se deve insistir mais.
Por registro. As mensagens encurtam, muda a pontuação, desaparece a delicadeza. Alguma coisa passou de pergunta a queixa, e essa viragem vê-se no texto antes de alguém usar a palavra reclamação.
Por intenção. Talvez tenhamos de repensar isto. Consegue segurar para mim ou procuro em outro lado? São decisões em curso, e uma pessoa muda o desfecho de uma forma que uma resposta exata não muda.
O relógio que conta
Tempo até à primeira frase escrita por um ser humano. Não até à atribuição, nem até o cartão aparecer num quadro.
O cliente não vê a sua fila. Vê uma resposta, depois nada, e por fim uma pessoa. Se entre a última mensagem do assistente e a primeira do humano vão quarenta minutos, o encaminhamento durou quarenta minutos, diga o painel o que disser. Medir a atribuição em vez disso é a forma mais comum de um relatório de operações acabar a descrever um sistema que ninguém experimenta.
O que aparece no tela da pessoa
Quatro coisas, por esta ordem.
O fio inteiro, na língua em que o cliente escreveu. Por cima, um resumo de duas linhas, porque quem pega no caso está fazendo isso entre outras duas tarefas. Uma lista explícita de tudo o que já foi prometido: um preço dado, um horário guardado, um documento enviado, porque é isso que ela sustenta a partir de agora. E a pergunta em aberto, formulada como pergunta, para que a primeira coisa a fazer não seja reconstruir porque é que aquilo está no seu tela.
O que não pode acontecer é uma pessoa abrir a conversa e pedir ao cliente que explique outra vez. Esse único gesto anula todo o valor de se ter respondido depressa.
A frase que o cliente recebe
Uma linha, com nome e hora. A Marina fica com isto e responde antes das seis.
Não o seu pedido foi escalado, que não lhe diz nada a não ser que foi movido para algum lado. E daí em diante o assistente cala-se naquele fio. Duas vozes numa conversa leem-se como desordem, e quem a assumiu tem de ser quem a segura.
Nove da noite, e não está lá ninguém
A falha que custa o cliente inteiro é encaminhar para uma fila vazia. O assistente promete uma pessoa, a pessoa está dormindo, e o cliente espera até de manhã a segurar uma promessa em vez de uma resposta.
Uma frase honesta ganha sempre a uma encenada: qual é o horário, quando chega a resposta e tudo o que o assistente pode resolver entretanto. É uma mensagem que soa pior e um desfecho bastante melhor, e é o mesmo argumento que o de responder às 02:14 sequer.
O encaminhamento é o ponto em que um assistente justifica o resto do sistema ou o desperdiça. É ali que acaba cada conversa da sua lista de limites, e a memória que o cliente guarda do seu negócio forma-se com a versão das duas acima que lhe calhou.
Perguntas que isto levanta
- O assistente deve dizer que não é uma pessoa?
- Sim, e cedo. Todos os negócios que tentaram o contrário descobriram que os clientes percebem e se lembram do engano durante mais tempo do que se lembram da espera.
- O assistente pode continuar ajudando depois de encaminhar?
- Deixa de escrever àquele cliente. Duas vozes no mesmo fio é pior do que uma resposta lenta, e quem assumiu precisa de ter a última palavra.
- E se pedirem uma pessoa por causa de uma banalidade?
- Encaminha na mesma. Discutir o motivo custa mais do que os dois minutos que uma pessoa leva a dizer que sim, e qualquer discussão sobre se o encaminhamento se justificava é uma discussão que o negócio perde.